Um técnico de som negligente pode prejudicar os cultos e as programações
musicais da igreja. Para que isto não aconteça, é necessário que ele cumpra algumas
recomendações básicas.
O técnico de som evangélico é um elemento de grande importância para que
tenhamos experiências bem sucedidas na vida da igreja; seja em momentos de culto, seja
em apresentações musicais.
Para que ele desempenhe bem o seu papel é importante que ele cumpra os dez
mandamentos∗
, não só aqueles mencionados no capítulo 20 de Levíticos, mas também os
apresentados a seguir:
1º. Não Conversarás: Muitos técnicos pensam que a melhor hora para
colocar o papo em dia é quando estão no meio de uma programação que exige a máxima
atenção. Não se deve confundir mesa de som com mesa de lanchonete. A ordem é
sempre olhar para frente e não para os lados ou para trás;
2º. Não Andarás: Uma das funções de um técnico é a de verificar se todo o
sistema está correto e em perfeito funcionamento, mas isso não quer dizer que se deve
ficar dando voltinhas pela igreja. Sabe por quê? Porque as pessoas estão atentas à
programação e, qualquer movimento paralelo desviará a atenção. Ande somente o
necessário e discretamente, procurando disfarçar ao máximo a atenção. Assim você não
chama a atenção e evita levar uma bronca do pastor;
3º. Não Aparecerás: Essa deve ser uma das principais marcas do bom
técnico de som; o anonimato. Isso significa dizer que quanto menos ele aparecer na
realização de qualquer evento ou programação, mais pontos são computados para ele. É
como um juiz de futebol que tem seu desempenho avaliado durante uma partida não pelo
fato de aparecer, mas de comprometer o menos possível a sua realização. Nem sempre o
mais importante é aquele que concentra em si todas as atenções. Quanto menos você
aparecer, mais o Senhor Jesus aparecerá;
4º. Não Mexerás: Não existe nada mais irritante no mundo do áudio do que
um técnico fussão. São as famosas mãos nervosas que acham que, só porque a mesa
tem muitos botões, devem ficar em constante movimento. E isso não é bem assim. Você
já ouviu a frase “em time que está ganhando não se mexe”? Pois é. Esta é uma verdade,
mas poucos técnicos de som a conhecem. Por exemplo, usam-se muitos microfones e,
muitas vezes ficar mexendo só compromete a apresentação. Uma vez regulado o
microfone, a função do técnico é a de vigiar a mesa para que ninguém mexa. É lógico que
alguns ajustes são necessários, mas uma vez feito, o resto é conseqüência;
5º. Não Atrasarás: Aqui entram dois itens distintos que comprometem a
programação. Primeiro, é um péssimo testemunho para incrédulos. O fato de estarem
chegando para uma programação e o técnico bem como seus ajudantes ainda estarem
todos sujos e montando ou testando o equipamento. Isso mostra uma profunda falta de
planejamento e organização. O técnico de som cristão tem obrigação de saber quanto
tempo ele leva para montar um equipamento, já contando com possíveis imprevistos
como falta de energia elétrica, falta de transporte até o local, queima de algum aparelho,
cabos com defeitos etc. Para tudo isso, deve haver um planejamento a fim de que o Reino
não perca. O segundo item é ainda mais importante: o começar na hora certa. O técnico
que atrasa a apresentação está cometendo vários erros. Vejamos alguns deles: está
desrespeitando os irmãos que são pontuais; está valorizando demasiadamente os
retardatários; está demonstrando que o tempo não tem valor; não está disciplinando o
povo. Todos os horários marcados para o início de cultos ou programações devem
impreterivelmente, ser respeitados. Mesmo que o número de presentes seja pequeno, o
horário deve ser obedecido em respeito àqueles que devem receber toda honra e glória:
Jesus Cristo. Falta de pontualidade é relaxamento, negligência, desrespeito e leviandade.
“Maldito aquele que fizer a obra do Senhor negligentemente” (Jr 48.10);
6º. Não Improvisarás: Você usa uma politriz para lustrar o chão de sua
casa? Ou então usa coca-cola para desentupir a pia da cozinha? Junto com estes
exemplos existem muitos outros que na realidade funcionam, mas não foram feitos para
este fim. No som acontece a mesma coisa. Muitos, por falta de recurso; outros,
simplesmente para aparecerem. Dizem alguns: “Esse técnico é bom; usou a linha de
pescar de seu pai para substituir a corda que arrebentou da guitarra de fulano” outros
talvez digam: “Só esse técnico mesmo! Colocou os retornos de um jeito todo especial
para ajudar na projeção do PA”. Ainda é possível que alguns outros também achem o
seguinte: “Puxa, esse técnico é o máximo! Usou o fone de ouvido como microfone na
narração da cantata.” Se este técnico pensou que está computando pontos para si,
acertou, mas pontos negativos. Este tipo de atitude só demonstra que ele não tem um
pingo de organização. Aí você me pergunta: “Então se estragar um cabo na hora da
programação, eu deixo o som sem funcionar?” Claro que não. A programação não pode
parar e isto não vai acontecer se você acertar tudo com antecedência. Às vezes temos
alguns problemas que nos impedem de fazer a coisa certa, como por exemplo: sua igreja
não tem condições financeiras para comprar bons equipamentos; ou você fez tudo com
antecedência, mas na hora deu tilt em alguma coisa; ou você pensou que o que eu tinha
em mãos seria suficiente. Desde que você tenha feito tudo que estava ao seu alcance e
com antecedência, dar um jeitinho irá mostrar não só profissionalismo como dedicação à
obra;
7º. Não Demolirás: Se você é um técnico que gosta de “botar a casa a
baixo”, me desculpe; seu lugar é numa empresa de demolições. Som alto não é sinônimo
de qualidade. Quando o Pastor diz para sentirmos a atuação do Espírito Santo em uma
programação, não quer dizer que é uma deixa para você estremecer o templo, e sim, para
o som ficar tão suave quanto à atuação de Deus em nosso meio. Se você reparar bem o
Rock in Rio tem toneladas de potência de muita música; e a letra onde fica? Devemos ter
a consciência de demonstrar a letra em primeiro lugar e a música em segundo. Não
adianta ser técnico e não se entender nada do que se está cantando. Devemos unir
tecnologia com fidelidade musical; caso contrário agrediremos nossos ouvintes com
toneladas de decibéis. E mais, não se esqueça jamais de que seu ganha-pão é o ouvido.
Por isso, cuide bem dele;
8º. Não Farás Rolo: Bem, não estou falando sobre arrumar brigas, mas
sobre fazer rolos de fios pelo templo ou pelo palco só para ver as pessoas se enrolarem
neles. Costumo dizer que se conhece um técnico de som pelos nós que ele cria. Quer
saber como ele é em casa com suas coisas pessoais? Observe como ele deixa os cabos
no palco. O bom andamento de uma programação depende, muitas vezes, de como você
organiza seus cabos de sinais e energia. Já pensou se dá uma pane num cabo de
microfone bem no meio de uma programação onde existem mais de 60 cabos trançados e espalhados pelo chão? Se você for rápido, levará no mínimo uns 20 minutos para achar o
infeliz defeituoso. Organize seus cabos. O sucesso de sua programação poderá depender
disso;
9º. Não Ungirás: Você sabia que não é só o gato que tem medo de água?
Pois é, aparelho eletrônico também tem. Sem essa de dizer que está ungindo o
equipamento com coca-cola. Copos e garrafas não se misturam com áudio. Na verdade
nem devem se aproximar uns dos outros. Existe hora para tudo, inclusive para se beber
água ou refrigerante. Evite ter copos e garrafas sobre o equipamento. Isso poderá
acarretar sérios problemas e também colocar em risco sua vida e de sua equipe;
10º. Não Espancarás: Alguns técnicos pensam que, para o equipamento
funcionar, deve antes levar algumas pancadas. Acho que o único que merece uma boa
correção é você. Se o aparelho não funciona, dificilmente batidas resolverão. A mesma
coisa acontece com microfones. Este é mais sensível ainda e, uma vez danificado, nunca
mais será o mesmo. Trate de seu equipamento com carinho e ele responderá com a
mesma fidelidade.
Marcelo Fernandes – Extraído do Jornal A Raiz
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quarta-feira, 23 de junho de 2010
DEZ MANDAMENTOS DO TÉCNICO DE SOM
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